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é escritor, tradutor, doutor em Filosofia da Educação (USP), professor, palestrante, blogueiro, autor de vários livros sobre leitura, linguagem, escrita criativa, educação, formação docente e estética. Mais informações no site www.perisse.com.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Terapia literária e suas fases

Caroline Shrodes é referência necessária para quem quer estudar biblioterapia. Um dos seus ensinamentos: a leitura terapêutica possui pelo menos três fases muito claras, a identificação, a catarse e o "estalo" (insight).

Uma leitura orientadora, equilibradora, vive esses estágios. (1) Identifico-me com o personagem, com a história, com as imagens; (2) participo, sofro, choro, alegro-me, sinto "por dentro"; (3) faço descobertas pessoais.

Os leitores mais jovens, para o bem ou para o mal (e mesmo os não muito jovens...), têm se identificado com Harry Potter (Joanne K. Rowling) e com Bella e Edward (Stephenie Meyer).

Li no ano passado o romance Meninas inseparáveis, de Lori Lansens (Editora Globo), e a uma certa altura chorei bastante ao viver "por dentro" a certeza da morte.

Os "estalos", as descobertas pessoais nascem da leitura criativa, quando um leitor se dá conta, por exemplo, de que certa metáfora é referência direta à sua própria vida. Nesta estrofe de um poema de Miguel Torga (1907-1995) descubro que em minha "mistura" (charco e luar) o baixo e o alto, meus erros e minhas virtudes se encontram e se necessitam:

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura. ("Livro de horas")

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